O que se leva da vida... coluna Carlos Brickmann

Publicado por: admin
09/08/2022 14:49:11
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Cortesia Editorial Pixabay
Cortesia Editorial Pixabay

Por Carlos Brickmann

Fausto Silva e eu entrando ao mesmo tempo, ao som de “O Passo do Elefantinho”. Jô, gentil: “As poltronas têm tamanho suficiente?” Fausto, na hora: “Têm. Mas ficariam mais confortáveis com um pouco de manteiga”. Era a terceira vez que eu era entrevistado no Jô Soares Onze e Meia, e haveria um convidado a mais, que não pôde ir: o notável cirurgião cardíaco dr. Euryclides de Jesus Zerbini. A ideia do Jô era clara, a partir da música-tema de entrevista: bota os gordos na roda. Mas, sem Zerbini, quem botaria os gordos na roda: o Jô? Sem roda, foi uma delícia de programa. O Fausto reclamou da falta de salgadinhos, o Jô os providenciou, recusamos: tinha toda a cara de salgadinhos de cenário. Se não me falha a memória, ocupamos (sem trocadilho) a maior parte do programa. Com Fausto e Jô, não tinha erro.

 

Figura notável, José Eugênio Soares: falava umas seis línguas, tocava uns sete instrumentos, era bom ator, bom diretor, bom produtor, bom tradutor, bom escritor, bom entrevistador, criou ótimos personagens –tudo o que fazia era bem-feito. Escreveu excelentes páginas de humor na “Veja”, deu às páginas amarelas da revista, no auge da ditadura, entrevista em que as respostas eram de seus personagens (se não me engano, foi feita por Armando Salem). Como Frank Sinatra em “My Way”, fez tudo do seu jeito –o jeito certo. Não se diga que Jô é agora uma estrelinha: desde que o vi pela primeira vez, com Renato Corte Real, na TV Record, Jô é uma constelação.

 

Jô Soares – 1938/2022

Uma despedida emocionante: Facebook

 

...é a vida que se leva

Tem gente discutindo política externa Sul-Sul, tem gente discutindo se urnas eletrônicas são ou não confiáveis, tem gente fazendo coisas que nos velhos tempos seriam chamadas de compras de votos, tem casal que vive sob o mesmo teto em que a residência do marido é contestada e a da esposa é aceita, tem gente que não consegue viver sem um tacão de coturno nos calcanhares. Há candidatos que só querem saber se alguma coisa dá voto. E a resposta é tão simples!!! Um garoto de onze anos de idade telefonou para a Polícia, na região metropolitana de Belo Horizonte, pedindo comida. “Estamos com fome!” Talvez nem seja necessário alimentar esse nosso povo por muito tempo: basta criar condições para que os pais possam trabalhar e ganhar um salário suficiente para oferecer três refeições diárias à família. Não é preciso importar armas caríssimas e perigosas: bastam talheres à mesa.

 

Livres – na marra, se for preciso

Ah, quando um político deixa escapar o que pensa, em vez de usar as palavras para escondê-lo! Bolsonaro caiu neste ato falho: na quinta, reunido com pastores da Convenção Geral das Assembleias de Deus, disse que “tem buscado impor, por meio das Forças Armadas”, que haja transparência nas eleições. Acusou três ministros do TSE de acreditar piamente em pesquisas do DataFolha. “Impor a liberdade” é bom: quem não quiser aceitar vai preso?

 

Viver é detestar

O único vereador federal do país, Carlos Bolsonaro, deve se mudar logo, de vez, para Brasília, para montar uma estrutura paralela à da campanha do pai à reeleição. O filho 01, o senador Flávio Bolsonaro, lidera o grupo oficial, que pretende destacar obras e atividades do presidente da República: o filho 03, o que é vereador no Rio, comanda o pessoal que participava do Gabinete do Ódio, como o assessor especial da Presidência Tércio Arnaud Tomaz, e o assessor de Assuntos Internacionais, Felipe Martins. Função do grupo: fazer o possível para desconstruir a imagem dos adversários, tratados sempre como inimigos do pai, mesmo que até agora tenham sido fieis a ele.

 

A doutora reclama

A dra. Nise Yamaguchi, um dos pilares da defesa de tratamentos precoces para a Covid, indo contra a corrente médica majoritária, e que por pouco não chegou a ser ministra da Saúde, está tendo dificuldades para se candidatar nas eleições. Na quarta-feira, publicou a seguinte mensagem no Twitter:

“Poucos sabem, mas uma candidata depende do partido autorizar sua candidatura. Se os ventos uivantes vão para outras direções, promessas se perdem no tempo e a candidata pode ser bloqueada por jogos de interesses no seu impulso mais limpo de servir!” Resta à dra. Nise buscar o mesmo apoio que levou a ex-ministra de Direitos Humanos, Damares Alves, a se candidatar ao Senado, por Brasília. Preterida pela também ex-ministra Flávia Arruda, Damares teve o apoio de Michelle Bolsonaro para poder participar da disputa. Bolsonaro disse que Flávia e Damares são suas candidatas, apoiam sua reeleição e ambas têm seu beneplácito.

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