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Ainda que não se saiba exatamente como a nova equipe econômica irá atuar – e se terá autonomia para agir – não há nada no horizonte que permita otimismo com relação à economia no próximo ano.

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O que 2015 reserva para o mercado de trabalho

Publicado por: Redação
06/01/2015 20:25:03
Cortesia Corbis
Cortesia Corbis

Ainda que não se saiba exatamente como a nova equipe econômica irá atuar – e se terá autonomia para agir – não há nada no horizonte que permita otimismo com relação à economia no próximo ano. Se as previsões oficiais de crescimento anual nos últimos anos sempre foram muito superiores aos resultados obtidos, a expectativa do governo de que o PIB suba 0,8% nos próximos doze meses dá calafrios. Não há porque esperar investimentos significativos, tanto públicos – por falta de recursos e necessidade de ajuste de caixa – quanto privados – ao desânimo dos empresários, somam-se previsíveis novas altas dos juros, decorrentes do combate à inflação ascendente. É otimismo crer que a economia continuará, ao menos, estagnada.

 


O que se vê com relação ao consumo e que ele não impulsionará mais o PIB. O endividamento dos brasileiros com o sistema financeiro passou de 46,01%, em julho, para 45,97%, em agosto, segundo o Banco Central. O dado, que considera o total das dívidas dividido pela renda no período de 12 meses, mostra metade da renda dos consumidores permanece comprometida com endividamento.

 


Outro indicador, o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), traz dados contrastantes. Cresceu de 109,7 pontos em setembro para 112 pontos em outubro, o que mostra uma leve melhora na confiança de quem compra. Porém, recuaram tanto a expectativa de melhoria da renda pessoal (1,2%) quanto o índice de pessoas que pretendem comprar bens de maior valor (0,9%). A isso, soma-se a divisão política do país a partir das eleições.

 


Há um cenário de incerteza que anunciar sérios reveses no mercado de trabalho e escancarar várias distorções acumuladas nos últimos anos. Uma das mais marcantes, o aumento da massa salarial, deverá trazer consequências sérias. Conforme o IBGE, entre 2004 e 2012, o indicador registrou um crescimento médio anual de 5,2%. Em 2013, perdeu ritmo, com alta de 2,8%. Neste ano, até outubro, expandira 3,8%. Esse movimento sustentou-se, principalmente, na chegada de empresas ao país e na contratação de mão de obra, forma que as empresas encontraram para aumentar sua produção. Isso foi possível enquanto o consumo permaneceu em níveis elevados.

 


Porém, o que sustenta o aumento na renda de um trabalhador é ganho de produtividade, algo que a economia nacional não vivência há décadas. Nesse aspecto, o país possui um dos piores desempenhos do mundo. Um levantamento do Conference Board, entidade americana que realiza pesquisas econômicas em cerca de 60 países, apontou que o crescimento médio da produtividade no país, entre 2003 e 2012, foi de 1,1%, o menor entre os chamados BRICs, e, em 2013, a produtividade do trabalhador brasileiro foi a menor entre em toda a América Latina. O crescimento da massa salarial chega a ser inverossímil com o salto de 4,1% registrado no segundo trimestre, período em que o país passava por uma recessão técnica. Não há, portanto, bases reais que sustentem esse quadro. Diante do engessamento provocado pela CLT, a correção implicará em cortes.
Nesse cenário, as empresas necessitariam ainda mais de profissionais preparados, e, a grosso modo, sofrerão para encontrá-los. Principalmente, entre os mais jovens. Um levantamento feito pelo IBGE em 2012 estimou que um quinto da população com idade entre 15 e 29 anos (9,6 milhões de pessoas) não trabalhava nem estudava. Tão alentador quanto é o nível educacional de quem chegou à universidade. Uma pesquisa realizada no início do ano pela PUC Brasília com 800 de seus alunos revelou que metade deles eram analfabetos funcionais.

 


O IBGE ainda aponta estabilidade na taxa de desemprego, situada em 6,8% no terceiro trimestre. Mas o que se vê à frente mostra que salários em alta, produtividade em queda e profissionais mal preparados formam uma combinação perigosa para o mercado de trabalho em 2015.

 


(*)Susana Falchi é CEO da HSD Consultoria em Recursos Humanos. Atua como executiva e consultora em Projetos Estratégicos em empresas nacionais e multinacionais de grande porte. É administradora de Empresas com MBA em RH pela FEA/USP.

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