Jovens usam IA, mas confiam menos nela do que os mais velhos, revela pesquisa

Publicado por: Feed News
22/08/2026 14:00:00
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Enquanto os mais velhos veem a IA com otimismo, os jovens, mesmo usando a tecnologia, demonstram maior ceticismo em relação ao futuro.
Enquanto os mais velhos veem a IA com otimismo, os jovens, mesmo usando a tecnologia, demonstram maior ceticismo em relação ao futuro.

Pesquisa revela que jovens de 18 a 24 anos são os mais pessimistas sobre a inteligência artificial. Estabilidade financeira e maturidade profissional explicam a diferença de percepção entre gerações.

 

Jovens usam IA, mas confiam menos nela do que os mais velhos, revela pesquisa

Apesar de serem os maiores usuários de ferramentas como chatbots e assistentes virtuais, os jovens são justamente os que menos confiam no potencial positivo da inteligência artificial. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa inédita da Public First, encomendada pelo Politico, que ouviu milhares de pessoas em diferentes faixas etárias.

 

O levantamento mostrou que jovens de 18 a 24 anos têm as atitudes mais negativas em relação à IA. Eles estão especialmente preocupados com o impacto da tecnologia na capacidade de pensar de forma independente e nas perspectivas de carreira. Ao mesmo tempo, esse mesmo grupo é o que mais utiliza chatbots para estudar, trabalhar e resolver questões pessoais – um paradoxo que chamou a atenção dos pesquisadores.

 

Por outro lado, pessoas entre 35 e 44 anos usam a IA com a mesma intensidade, mas enxergam o futuro com muito mais otimismo. Enquanto apenas 19% dos jovens acreditam que a IA vai melhorar suas capacidades pessoais e beneficiar a sociedade, entre os mais velhos esse índice sobe para 28%.

 

Estabilidade financeira pesa mais do que idade

Um dos dados mais surpreendentes da pesquisa revela que a segurança financeira é um fator determinante para a confiança em IA. Entre os entrevistados que se consideram financeiramente estáveis, 43% esperam que a tecnologia melhore sua situação econômica e contribua positivamente para a sociedade. Já entre aqueles que enfrentam dificuldades financeiras, apenas 18% compartilham dessa visão – e 51% acreditam que a IA terá impacto negativo tanto em sua vida quanto na sociedade.

 

Os autores do estudo destacam que não há uma relação causal direta entre instabilidade financeira e pessimismo em relação à IA, mas há uma tendência clara: os jovens estão entrando no mercado de trabalho e ainda não conquistaram a estabilidade profissional e financeira que as gerações mais velhas já possuem. Por isso, o medo em relação à IA se soma a incertezas já existentes, como desemprego, automação e mudanças nas carreiras.

 

O custo oculto da IA no dia a dia

Outro ponto levantado por estudos recentes é o desgaste que a IA vem causando no ambiente corporativo. Trabalhadores de escritório estão gastando até 6 horas por semana apenas supervisionando ferramentas de inteligência artificial – uma tarefa que tem gerado fadiga, irritação e até queda de produtividade. Esse fenômeno, apelidado de "babá da IA", mostra que a tecnologia ainda exige supervisão constante, o que pode explicar parte do ceticismo, especialmente entre os mais jovens, que muitas vezes acumulam funções e têm menos autonomia no trabalho.

 

Opinião do especialista Mike Nelson

"O que vemos aqui é um reflexo natural de uma geração que está vivendo na pele as transformações do mercado de trabalho. Os jovens não temem a tecnologia em si, mas o que ela representa num contexto de instabilidade. A IA não é o problema – é o catalisador de uma ansiedade que já existia. O desafio das empresas e das políticas públicas não é ensinar os jovens a usar IA, mas dar a eles segurança para crescerem com ela. Confiança se constrói com estabilidade, não só com acesso."
— Mike Nelson, especialista em inovação e futuro do trabalho. Saiba mais em www.mikenelson.com.br

 

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