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O combate à zika e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti tem um novo aliado — os drones. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta quinta-feira (19) a conclusão bem-sucedida de testes para usar as aeronaves

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Drones para combater Aedes aegypti no Brasil

Publicado por: Redação
20/04/2018 09:40:08
Drone utilizado pela AIEA para transportar mosquitos tornados estéreis pelo uso de radiação. Foto: AIEA/N. Culbert
Drone utilizado pela AIEA para transportar mosquitos tornados estéreis pelo uso de radiação. Foto: AIEA/N. Culbert

O combate à zika e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti tem um novo aliado — os drones. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anunciou nesta quinta-feira (19) a conclusão bem-sucedida de testes para usar as aeronaves em estratégias de controle dos mosquitos. Os veículos aéreos transportam insetos tornados estéreis por meio de radiação e libera os animais no meio ambiente para conter a proliferação da espécie.

 

Um obstáculo ao uso dessa estratégia é a fragilidade do Aedes aegypti. Quando liberado em um ecossistema a partir de aviões, que voam em altitudes elevadas, o mosquito da zika, dengue e chikungunya pode ter suas asas e pernas destruídas ou machucadas. Isso inviabiliza sua inserção na região visada.

 

A técnica do inseto estéril, conhecida pela sigla SIT, em inglês, envolve a criação em cativeiro de machos do Aedes aegypti, que perdem sua capacidade de reprodução ao serem expostos à radiação gama. O enxame é, então, disseminado na natureza, para acasalar com fêmeas do inseto. Como os parceiros são estéreis, a cópula não gera novos mosquitos — o que reduz ao longo do tempo a presença da espécie em determinado local.

 

Com o drone, podemos tratar 20 hectares em cinco minutos.

Ao longo de todo o ano passado, a agência da ONU trabalhou com o grupo suíço-americano WeRobotics e com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para desenvolver um protótipo de aeronave capaz de transportar em segurança os Aedes modificados. Durante o deslocamento, os mosquitos também precisavam suportar temperaturas mais frias.

 

"O mecanismo de liberação de mosquitos havia sido até agora o gargalo na aplicação da SIT", explica o entomologista médico da Divisão Conjunta da FAO e da AIEA de Técnicas Nucleares na Alimentação e Agricultura, Jeremy Bouyer. "Estamos satisfeitos com os testes iniciais, que mostram (uma taxa de) menos de 10% de mortalidade ao longo de todo o processo de resfriamento, transporte e liberação aérea."

 

Segundo o especialista, antes, os insetos radioativamente alterados eram disseminados por via terrestre, o que gastava mais tempo e esforço. "Com o drone, podemos tratar 20 hectares em cinco minutos", ressalta o cientista. Pesando menos de dez quilos, essas aeronaves podem carregar 50 mil mosquitos estéreis por voo. O preço do veículo — 10 mil euros — também permite reduzir pela metade o custo com a aplicação da SIT.

 

Com o sucesso dos primeiros experimentos com drones, o Brasil planeja usar as aeronaves a partir de janeiro do próximo ano, tanto em zonas urbanas quanto rurais. A ideia é aplicar a técnica do inseto estéril durante o pico do verão e da estação de mosquitos.

 

A AIEA busca atualmente reduzir o peso dos veículos e aumentar sua capacidade, para que cada drone possa transportar até 150 mil mosquitos por voo. O desenvolvimento do veículo aéreo teve o apoio financeiro da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

 

A SIT é usada há mais de 50 anos para enfrentar pestes na produção agrícola, mas apenas recentemente foi adaptada para controlar espécies de mosquitos transmissores de doenças.

 

Fonte: ONU BR

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